Eu queria poder lhe falar tanta coisa. Falar-lhe tudo o que está se passando dentro de mim. Contar-lhe que eu penso em tio dia inteiro. Contar-lhe todas as cenas que eu montei na minha cabeça da gente. Falar-te o que você está fazendo comigo. O que tu despertaste em mim. Contar-te a insônia que pensar em você me causa. Contar-te das inúmeras aulas perdias por pensar em você. Contar-te da minha imensa vontade de cuidar de você, te fazer sorrir, de te fazer feliz, ou ao menos tentar. A imensa vontade que eu tenho de te propor tudo isso, de lhe pedir pra que me dê uma chance, para tentar te fazer feliz, eu juro que ponho o mundo aos teus pés. Pois esse é o meu objetivo querer te ver bem, te ver sorrindo, ver esse sorriso lindo que só você tem.
theme por desesperançoso alguns detalhes por im-mutable.
Eu não gostava de café com gelo, Guitar Hero ou Anna Julia, juro. Aí eu comecei a gostar de números pares.

Às vezes eu saía pra caminhar no parque e ficava observando. Observava a senhora sentada no banco de madeira dando comida aos passarinhos, bem coisa de filme mesmo. Observava o cara gordo sentado do lado da senhora que pensava que conseguia disfarçar a direção do olhar tapando a cara com um jornal velho da semana passada. Mas todo mundo sabia que ele, na verdade, estava olhando as pernas da loira gostosa que ia todos os dias àquela mesma hora correr naquele parque com um rabo de cavalo no topo da cabeça, um shorts mais curto que o comprimento da palma da mão e sempre com fones de ouvido e música no volume máximo. Ela, ironicamente, tinha cara de quem curtia, sei lá, Maroon 5, RHCP, e se brincar até Beatles. Tinha o meu vizinho metódico e pontual fixado que acordava todos os dias às exatas 7:14 da manhã pra passear com aquele cachorro gordo esquisito que ele chama de Brutus. Acho que é um buldogue, tanto faz. Nunca parei pra prestar atenção nas classificações das coisas. Pra falar a verdade, muitas especificações me irritam. Voltando ao meu vizinho do cabelo penteado e mais encharcado de gel que o próprio pote: é, 7:14. Não 7:15, 7:14 mesmo. Ele nunca tem nada marcado em horas com minutos ímpares. Sem pegadinha, passei quase um mês tentando flagrar um atraso ou avanço de um minuto que fosse no toque do despertador desse cara. PÉÉN, falha. Não aconteceu. Aquela maldita musiquinha de elevador toca todos os dias às exatas 7:14 e eu não consigo acordar um minuto mais tarde há 4 meses, desde que me mudei pra cá. A mulher dele me traz biscoitos todas as quartas-feiras às pontuais 18:15 da tarde como pagamento pra eu ficar de olho em quem entra e sai do apartamento de cima, onde eles moram. Só pra esclarecer, ela tem fobia à compromissos em horas com minutos pares. É, eu sei. Talvez seja só coincidência, ou talvez os clichês sejam válidos e os opostos se atraiam e se completem mesmo. Sei lá. Como disse, não gosto de especificações, ditados, leis de newton, leis de sobrevivência ou qualquer coisa estabelecida. Nada que não mude. Aí então a mulher gorda pontual do meu vizinho de cabelo duro brilhoso esquisito e pontual resolveu mudar as coisas um pouco. Eu passei a gostar dela depois disso. E passei a gostar de Los Hermanos e de jogar Guitar Hero com a filha dela. E passei a gostar da filha dela. Mas isso veio depois.
Quarta-Feira, 9 de Outubro, 18:20 exatamente. Quatro batidas na porta. Primeiro fato escandalosamente anormal: 18:20. Seis horas e vinte minutos da tarde. V-i-n-t-e minutos. Segundo fato escandalosamente anormal: Quatro batidas na porta. Achei mesmo estranho e, involuntariamente, fiquei esperando pela quinta. Nada. Quatro batidas. Nem meia a mais. Nem 0,7 a mais. Quatro. 1, 2, 3, 4. Beleza, já deu pra entender, né? Quatro batidas. Levantei do sofá vermelho onde tinha passado a manhã afundado. Vista pra escada de acesso ao apê de cima. Sacaram a estratégia, né? Eu realmente gostava dos biscoitos. Mas eu nunca entendi qual a finalidade de se colocar uma janela com vista pra dentro do prédio. Beleza, sem discussões. Abri a porta. BÁ!
Eu juro que quase caí pra trás. Ruiva, branquinha, pequenininha, olhos verdes e dedos finos. Unhas com um esmalte descascado num tom que me parecia renda ou qualquer coisa assim. Esmalte cor de unha. “Oi.” — droga, fiz merda. Fiz merda, fiz mer — “Oi…” “Quer alguma coisa?” “Na verdade, minha mãe me pediu pra te trazer uns biscoitos e perguntar se alguma…como é que ela diz mesmo? Se alguma promís…” “Se alguma promíscua subiu as escadas hoje?” “É, isso aí mesmo.” “Pode dizer que não… Mas diz que uma ruivinha desceu aqui e quase me fez cuspir refrigerante quando eu abri a porta.” — Que merda eu tava fazendo? Sério. — “Como?” “Nada, não. Pode dizer que não subiu ninguém.” “Não… eu ouvi o que tu disse.” — Droga. — “Hm…Tá a fim de entrar?” “O quê?” “Tomar alguma coisa, sei lá. Ver um filme.” “(Risos) Não, valeu. Quem sabe outro dia. Tenho que levar o Brutus pra passear agora.” — Eu juro que nunca ouvi um risinho tão agudo que não fosse irritante. — “Às 18:31 da tarde?” “É, uai… Por quê?” “dezoito e trinta e um da tarde?” “Sim, senhor. Algum problema?” “Não, nada…Só achei que ele gostava mais de passear de manhã.” “Ele não gosta de nada, eu é que gosto de andar à tarde.” “Ah, entendi.” “Até.” “Só uma pergunta…” “Fala.” “Você vai me trazer os biscoitos a partir de agora?” “Se você quiser.” “Sem problemas.” — Abri um sorriso amarelo meio torto e me senti o maior idiota do mundo quando, pela primeira vez, me preocupei com essa coisa de espinafre entre os dentes. Eu não comia espinafre há o quê? 19 anos? Desde que eu comecei a escolher o que comer. Foi instinto, sei lá.
Uma semana depois, Quarta-Feira, 16 de Outubro, 17:50 da tarde. Eu não conseguia parar de checar o relógio. Resolvi pegar um livro. Folheei umas páginas, li umas duas ou três frases e me lembrei que nem tinha prestado atenção no nome do livro. “Não Conte a Ninguém”, dum cara chamado Harlan Coben. Resolvi ler a sinopse. Li no máximo umas seis linhas antes da primeira batida na porta. Quatro batidas. Levantei da poltrona num pulo, larguei o livro que caiu no chão e sei lá mais o que eu derrubei. Tropecei nos meus próprios pés umas quantas vezes até chegar à porta. Me apoiei na maçaneta e não consegui puxar a porta sem fazer um barulho estrondoso que entregasse meu nervosismo. Tô nem aí.
“Oi de novo” “De novo — Ela não parava de sorrir. Pensei que talvez tivesse gostado de mim. Tomara — er…cheguei em hora errada?” “Hora errada?” “É, sei lá.” “Não, não…chegou na hora de entrar.” Ela riu de novo. Que diabos tu quer comigo, guria? Vai parar com isso não? Já tá virando sacanagem. “Vou parecer muito oferecida se aceitar o convite?” “Não mais do que eu quero que seja.” — Dessa vez eu ri também. Foi uma sensação esquisita ela ter gostado da piada. “Onde é que eu coloco isso aqui?” “Deixa no braço da poltrona mesmo. A gente vai acabar comendo durante a conversa.” “Ah, é? E vamos conversar sobre o quê?” “Sei lá, uai.” Eu juro que fiquei olhando pra ela por uns cinco minutos até que resolvi me pronunciar. O silêncio tava me matando. “Aceita, sei lá, um refrigerante?” “Não tomo refrigerante…” “Chá? Café? Água?” “Café, pode ser.” “Então tu vai ter que fazer porque eu não sei. — Rimos. — Topa?” “Tem pó?” “Tem, sim.” E se eu te disser que sabia fazer café? Sempre soube. Sei lá, só pensei que ela acharia engraçado. Funcionou.
“Posso pegar gelo?” “Oi?” “Gelo. Posso?” “Claro que pode, mas gelo pra quê?” “Café, uai. Não gosta?” “Não que eu saiba.” “Já provou?” “Sei lá, devo ter provado. Não me parece nada legal.” “Prova aqui.” Ela jogou as pedras de gelo na xícara e estendeu-a pra mim de forma que quase passei a respirar café. “Não, fica tranquila. Pode tomar seu café aí.” Ela riu de novo. Puta merda. “Prova logo, estranho.” Ela estendeu a xícara de novo e eu quase que me senti obrigado pela minha própria vontade a engolir aquilo. O gosto era horrível. Eu gostei. “E aí?” “Até que é bom, estranha.” “Hm, sei — risos — essa cara aí de quem gostou. Imagina se não tivesse gostado.” Ela se apoiou de costas na pia e eu me apoiei do lado. “E aí, o que tava lendo?” “Eu?” “Obviamente.” “Nada, por quê?” “Vi um livro no chão da sala. Deu vontade de pegar, mas preferi ficar imóvel e te deixar constrangido.” “Hm…Harlan Coben.” “E o livro fala sobre o que?” “Não faço ideia. Li umas frases que juntas formariam meia página, no máximo.” Ela me encarou por uns segundos e resolveu voltar pra sala. Segurou minha mão e me arrastou até o sofá. A ficha de ela ter me pegado pela mão demorou a cair. O amor da minha então se sentou na minha poltrona e cruzou as pernas numa daquelas posições de borboleta de ginástica. “E aí?” “E aí o quê?” “O que tava fazendo antes de eu chegar?” “Ouvindo música, tomando refrigerante, o de sempre. E você, tava fazendo o que antes de vir pra cá?” “Nada, na verdade. Cochilando.” “Hm…” “Ei, tive uma ideia.” “Diz.” “Me diz as coisas que tu gosta, que eu te digo do que gosto.” “Não dá, tenho vergonha de falar…” “Então escreve.” “O quê?” “Escreve. Não sabe? É fácil. A gente normalmente aprende isso no pré.” — Não me segurei, tive que rir. E me senti envergonhado ao mesmo tempo, ela não parava de olhar. Me senti desconfortável e, simultaneamente, realizado. Sei lá, e se ela tivesse gostado de mim? E se a ruivinha dos dedos finos e pés pequenininhos estivesse gostando de mim? Que puta sorte. Eu ainda não tinha entendido qual o entusiasmo, mas não dava pra tirar o sorriso da cara. Era normal, não? Alguém gostar da gente? Costumava ser normal no colegial. No colegial, na faculdade, no trabalho, nas festas. Sempre tinha alguém a fim. Sei que o jeito como ela me olhava me deixava sem reação. E o cheiro dela, então? Ela cheirava a lilás e dia chuvoso. Suspirar perto dela dava uma vontade enorme de beijar. Eu tinha vontade de tudo com ela.
“Então, vamos? Me alcança um pedaço de papel e uma caneta.” “O.k. Vou pegar, espera.” A única coisa parecida que eu achei foi um bloquinho de notas do Batman. O que ela pensaria de um marmanjo de vinte anos de idade que usava um calção desbotado até os joelhos e chinelo havaianas, tinha a barba mal-feita e…gostava de desenho animado?
Ela achou engraçado. E riu que nunca vi. Ela ficava mais sexy naquela blusinha branca com renda no decote e jeans rasgado que a Angelina Jolie de lingerie.
Nunca caprichei tanto na caligrafia. Desenhei cada letra com a maior vontade do mundo de aquilo ficar legal. Mas nunca parei pra pensar nas coisas que gostava. Eu gostava um pouco de tudo. Ficou difícil escolher; coloquei só os mais comuns.
Ela me pareceu meio indecisa. Rabiscava e riscava o tempo todo, nunca vi.
“Terminou?” “Terminei.” “Beleza. Faz assim: me entrega o teu que eu te entrego o meu, tá?” “Tá. No três” “Tá. 1…2..— ela interrompeu a contagem e puxou o papel da minha mão e jogou o dela em cima de mim — tava demorando muito.” Os dois rimos. Antes de ler o que ela havia escrito, fiquei observando a reação dela ao ler minha lista.
“-Rock e indie rock
-Angelina Jolie
-Biscoitos
-Números pares
-Anabell
-Ruivas + Batman”

Ela sorriu em silêncio. Me senti aliviado e não consegui conter um sorriso também. Resolvi ler a lista dela.
“-Desenhos animados
-Rock e indie rock
-Chinelos havaianas
-Guitar Hero
-Estranhos
-Batman
-Anna Julia”

“Ei!” Sei que era uma proposta meio idiota, mas ela ia gostar. “Diz, estranho.” “Tenho uma coisa pra você, já volto!” “O que é?” “Surpresa.” Ela me olhou feliz. F-E-L-I-Z, com todas as letras. Deu pra ver. Um amigo meu uma vez tentou me ensinar a jogar esse tal de Guitar Hero. Odiei. Me estressei. Não tinha coordenação motora suficiente pra isso. Meus dedos nunca pressionavam a tecla certa e eu nunca acertava o tempo. Desisti. Eu tinha lá em casa um “quartinho da bagunça”. Guardava toda e qualquer tranqueira lá dentro. Esse amigo meu acabou deixando o Guitar Hero dele lá em casa e eu, já completamente cansado daquela coisa, joguei lá dentro do quartinho e esqueci que aquilo existia. Muita sorte. Acabei encontrando a “coisa” dentro duma caixa e tava tudo lá certinho. Nada faltando.
“Ei?” Ela já tava ficando impaciente, mas tava animada com a “surpresa”. “Achei! — gritei como resposta — tô indo!” Quando cheguei na sala, ela tava balançando a perna daquele jeito que todo mundo faz quando tá ansioso. Me senti importante. Coloquei a caixa no colo dela e pedi que abrisse. Ela gargalhou. Foi lindo.
“Não acredito — ela disse, ainda sorrindo. Eu não conseguia parar de olhar. — Sério mesmo?” “Sério — ri. Ela era tão ingênua rindo que parecia uma criança ganhando a primeira bicicleta. — Que tal?” “Tá querendo me conquistar, é?” “Algo me diz que eu já consegui.” “Besta. Nem chegou perto.” Preciso confessar uma coisa. Nunca amei tanto a sensação de ingenuidade. Eu era tão ingênuo perto dela que cheguei a achar que fosse uma pessoa apaixonável.
Conectei os cabos à tevê e depois de dez minutos tentando encontrar o menu, decidi que a melhor coisa a fazer era esquecer a cultura do cavalheirismo e pedir que ela arrumasse aquela coisa. “É assim mesmo? Tem certeza?” “É, sim. Deixa eu arrumar. Sei o que tô fazendo.” Sei que que ela sabia. Depois de algum tempo percebi que ela sempre sabia. Sabia que me torturava quando sorria pra mim, sabia que o jeito como caminhava, se vestia e até como se mexia despertavam em mim aquela coisa ridícula de amor platônico. Aquilo de achar que tudo que o outro faz é uma pista ou um sinal. E o melhor de tudo? Era. Uns anos depois eu descobri que até a caligrafia dos bilhetinhos que ela grudava na geladeira era de propósito. Ela conseguia colocar um pouco da sensualidade ingênua dela em casa coisa. “Tá. Faz aí.” “Pronto, senta aí.” Me sentei no sofá maior e ela sentou do meu lado de forma que as nossas pernas e os braços ficaram grudados. Preferi pensar que foi de propósito. “Antes de começar — eu juro que tava curioso — posso perguntar uma coisa?” “Claro que pode.” “Quem é Anna Julia?” Ela riu. E dessa vez ela riu de mim. Mas não num tom de deboche, ela não era desse tipo. Ela riu num jeito de quem tava adorando tudo aquilo. Ela riu num jeito de que tava apaixonada pela forma como eu era ingênuo perto dela. “É uma música.” “Uma música?” “É, uai. Nunca ouviu? Todo mundo já ouviu.” “Ouvi, não.” “Claro que ouviu… Nunca acreditei na ilusão, de ter você pra mim… — ela começou a cantarolar — me atormenta a previsão do nosso destino; eu passando o dia a te esperar; você sem me notar…quando tudo tiver fim, você vai estar com um caraaaaaaa, um alguém sem carinhooooooo, será sempre um espinhooooo, dentro do meu coooo-raaaaaaa-çãaaaaaao — ela deu uma pausa e me encarou nesse meio tempo. Mas dessa vez me olhou mais que dentro dos olhos. Ela me viu. — ô Anna Juliaaaaaaaaaaaaaaaaa — ela levantou num pulo e usou a mão como um microfone pra cantar o refrão. Acho que nunca ri tanto. Doía tudo; pernas, estômago, bochechas. Eu quase soube o que significava “morrer de rir”. Ela terminou a performance e eu bati palmas, ainda rindo. Ela gargalhava de perder o ar e eu juro que achei a coisa mais linda quando ela roncou no meio da risada. Ela ria tanto que mal conseguia se manter de pé. Veio tropeçando, se sentou no braço do sofá e foi descendo de costas até cair com a cabeça no meu colo. Ela fechou os olhos e apoiou a mão nas costelas, respirando devagar. Pensei, por um segundo, em beijar a testa dela. Sei lá, me deu uma vontade enorme. Mas ela acabou abrindo os olhos e levantando antes de eu criar coragem. Ela se sentou de novo e segurou meu pulso, procurando por um relógio. “São 18:25.” Sei que é meio esquisito, mas me senti feliz por ela ter ficado desapontada. “E daí?” “Tenho que levar o Brutus no parque.” “Ah…Tudo bem.” “Mesmo?” “Mesmo.” Ela se levantou, calçou os chinelos e foi em direção à porta. Me apressei em levantar a abrir a porta pra ela. “Senhorita.” Fiz reverência e ela correspondeu “Cavalheiro.” Ela saiu e eu não resisti. “Ei!” “Oi?” “O Guitar Hero fica pra amanhã?” “Claro!” “E mais uma coisa…” “Pode dizer.” “Não te deixo sair até confessar que está apaixonada por mim.” Aí o amor da minha vida riu e subiu as escadas. Eu não gostava de café com gelo, Guitar Hero ou Anna Julia, juro. Aí eu comecei a gostar de números pares.
Ana Luísa K.  (via rockandsoda)

Pensa em uma menina diferente, mas não esse diferente que já se tornou clichê nos dias de hoje. Ela diferente de um modo indiferente, pois é assim que ela costuma ver o mundo. Ela é totalmente rebeldemente o contrario dessas menininhas rotuladas pela sociedade. Ela odeia rótulos, e não segue nenhum, na verdade ela não segue nada, ela faz tudo do jeito dela, e foda-se o que os outros vão pensar ou não.Ela arrota e senta do jeito que se sente mais confortável e qualquer lugar, ela é ela mesmo sempre. Ela não é do tipo que muda pra agradar alguém, ela pode até magoar a pessoa mas ela nunca para de ser quem realmente és. Ela é incrivelmente linda e no fundo ela sabe disso mesmo que na maioria das vezes se taxe ‘’a feia’’, ela sabe que de feia ela tá longe. Ela é aquele tipo de garota que está cheio de meninos atrás por ser, ter os olhos grandes da cor do mel, e um sorriso que encanta a todas e às vezes até da a impressão de que tal garota és fofa e meiga, mas aparências enganam. Enfim ela tem vários meninos atrás por esses e outros motivos. E o destino, o ruim e maléfico destino fez a pequena menina se apaixonar, mas não o destino não podia deixar as coisas fáceis para ela e fazê-la se apaixonar por um garoto dos tantos que vivem atrás não, não o destino sempre querendo dificultar as coisas. E o destino conseguiu o que queria, a garota se apaixonou por alguém que talvez nunca se imaginasses apaixonada. Porem tempo se passou, paixão passou, e com isso ficou só o amor e a dor de saber que ele não a corresponder, de saber que os mesmos frequentam mesmos lugares e que ela se verá obrigada a vê-lo beijando outras, e mesmo assim forçar o sorriso e levantar a cabeça para não deixar as lagrimas derramarem. E sabe qual é a parte mais sem sentido ou com muito sentido? É que tal garoto não é um tanto quanto bonito, a menina é linda e o garoto é um tanto quanto fora do peso, e não é o tipo ‘’galã de novela’’, mas ela pouco se importa com isso, ela se encanta com aquele sorriso toda vez que o vê por mais que ela já saiba cada detalhe do sorriso. Ela trocaria qualquer galã por aquela falha na sobrancelha, por aquele dente pontudo, por aquela mão que chega a ser gigante perto da tua, ela trocaria todos os meninos mais lindos da face da terra para ter esse garoto fora do peso com falha na sobrancelha ao teu lado segurando tua pequena mão todos os dias e te chamando de ‘’minha’’. È.. Isso sim é amor.


Acho que sou uma teoria errada. Ou talvez não exista um jeito certo de me entender.


“Você mudou” “Um dia todo mundo deixa de ser otário”


Ei, vamos voltar no tempo por alguns minutos? Quatro anos atrás. Começo de fevereiro de 2008. Início da sexta série entra uma aluna nova em minha sala de aula, lembro bem que ela se sentou em uma carteira do lado da minha, e eu podia falar qualquer coisa como ‘’qual é o teu nome? De qual escola você veio? Seja bem-vinda. ’’ Mas não eu preferi lhe perguntar ‘’você gosta de high school musical?’’ Ok, essa foi a nossa primeira ‘’conversa’’. E não, não nos tornamos grandes amigas dali para frente. Confesso que eu sempre quis ser tua amiga, e ao longo do ano sempre tentava te agradar e fazer tuas vontades para conquistar a tua amizade, confesso que até tentei ser uma pessoa que eu nunca fui pra conquistar tua amizade. Mas amizades não se conquistam assim não é? Eu sei que sempre tive um carinho enorme por você e na maioria das vezes por minha vontade de ser tua amiga ser tão grande eu acabava sendo a bobinha da história. Mas na época eu era ingênua demais para perceber isso. Lembro de uma vez que você me chamou pra dormir na sua casa, ‘’a primeira que eu dormi em sua casa’’, nossa para mim naquela época aquele convite tinha sido tudo pra mim. Sei que depois daquela vez que eu dormi em tua casa, ai sim começamos a realmente virar amigas. Eu não saia da tua casa e você não sai da minha, e ah finalmente eu tinha conquistado a tua amizade, e eu não precisei ser nada alem de eu mesma para isso. Lembro também de quando você veio morar na rua de trás da minha casa, eu não podia ter uma noticia melhor que aquela, e você nem imagina o quanto eu fiquei feliz por isso. E nossa rotina a partir dali foi bem assim: escola, - telefone tocando. – Maiara desce aqui pra casa. –To indo. E assim foram-se alguns meses, talvez os mais felizes da minha vida. Lembro-me uma vez no começo de 2010, na oitava série. A primeira vez que fomos vender bolo na escola para formatura lembra? Eu fui dormir na tua casa para fazermos um bolo, e fizemos mais bagunça na cozinha da tua mãe que um bolo, eu me lembro que metade do bolo ficou sem borda de chantilly, lembra-se disso?Enfim.. Até que você me dera a noticia de que iria mudar de bairro, chorei com aquela noticia novidade não foi não é? Pois eu sempre fui chorona mesmo. Mas você ter mudado de casa não foi motivo para nos afastarmos, pelo contrario, acho que ficamos até mais únicas depois disso. Lembro-me que no teu primeiro dia na tua casa nova eu já fui dormir lá. E o teu bairro novo nem fora tão longe do meu, uns 10 minutos de carro. E mesmo com essa mudança de casa e tudo mais, ainda estudávamos na mesma escola, e mesmo estudando na mesma escola, quando chegávamos em casa já ligávamos uma para outra e lá se ia horas de conversa vai e conversa vem, mas a conversa nunca acabava, e nos finais de semanas era de lei você aqui ou eu ai. Até que o nosso ano tão sonhado, o ultimo ano do ensino fundamental estava chegando ao fim, e com isso veio o NR e a nosso tão sonhado baile de formatura. O baile foi perfeito lembra? E no dia seguinte teria a nossa ida para o NR, e na hora que eu acordei super cedo toda ansiosa te liguei e você com uma puta voz de ressaca, daí eu te disse ‘’Animação minha filha, hoje é o dia.’’ Daí você super meiga como sempre me respondeu ‘’Cala boca Maiara, tá cedo ainda, vai dormir vai. E a essa época foi linda. Ai chegou às férias, e lembro-me como se fosse ontem, eu morei na sua casa nas férias. Fevereiro chegou e fomos para escolas diferentes, e como aquilo doeu em mim. Senti muito no começo, pois como eu iria ficar sem ver a minha melhor amiga todos os dias? Mas nós superamos isso juntas não foi mesmo? Nos ligávamos todos os dias e ficávamos de duas a três horas no telefone, contas caríssimas e mães brevíssimas, mas nem isso nos impediu. E nosso final de semana ainda era de lei. Lembra nas férias de julho do ano passado que você chorou só por que eu fiquei 7 dias fora. E depois que eu voltei fiquei 7 dias na sua casa só pra compensar toda a saudade. Nesse meio tanta coisa aconteceu tanto amores e desamores, tanta encrencas que nos metemos, vou citar duas só pra você rir um pouquinho: ACM (você lindona me levando pra vomitar no banheiro do shopping) e matar aula em Paraibuna que falhou. Aprontamos muito, mas sempre estivemos unias, juntas, uma do lado da outra. Quando você chorava, eu chorava junto, quando eu chorava você chorava junto, e nos vivíamos bem assim não vivíamos? Com nossos planos de ter um apartamento em São Paulo, de como passávamos  horas falando disso e planejando, cada sorriso bobos que dávamos. Quando eu te disse que queria ser cantora e você riu de mim, e logo depois disse ‘’Se é isso que você quer, vá em frente Mazinha.’’ Ah são tantas coisas tantas lembranças, que nossa nem se eu quisesse daria pra citar tudo. Até que aconteceu coisas que aconteceram e novembro e nos afastou, mas nos afastou de uma jeito tão grande, que eu sofro, choro todos os dias por isso. Por que mano eu te amo muito Letícia, eu te amo muito. Eu posso não ser a tua melhor amiga mais, mas você mais ser pra sempre a minha, ninguém, absolutamente ninguém pode roubar o teu lugar, o teu lugar é único Lezinha, é só teu, só teu. E eu não suporto a ideia de ter te perdido desse jeito. Por que você é parte de mim, é minha irmãzinha, é a minha melhor amiga, é aquela que me bate, me chama de idiota, me traz sorrisos. E é impossível viver sem você, eu não aguento mais, juro que não aguento mais. E por esse motivo, agora eu vou fazer de tudo pra reconquistar tua amizade e fazer voltar a ser exatamente do jeito que era antes, vou fazer o possível e impossível pra isso acontecer.  Ah e deixo voltar em 2008/2009 de novo. Se lembra que eu era a menina mais inofensiva, ingênua e boazinha que você conheceu? Eu era uma completa tola. Quando eu te conheci eu tinha ficado com apenas 3 meninos na minha vida. Nunca tinha experimentando 1  cigarro, nem colocado 1 cole de vodka na boca, e falar de sexo pra mim era coisa fora do normal. Minha convivência com você me desandou muito, mas me fez crescer muito também, você Letícia, você me ajudou a formar o meu caráter de hoje, me fez ajudar a formar essa menina chata e cheia de argumento, cheia de chatices, cheia de dramas, cheia de frescuras que eu me tornei. Foi com as suas broncas que eu comecei a crescer. Antes eu vivia em um mundo de cristal que minha mãe e que meu pai criaram em volta de mim e você quebrou esse mundo e me mostrou que não era bem assim. Me mostrou as dificuldades da vida, e me mostrou que sempre iríamos enfrentar tudo juntas. Você me ensinou o verdadeiro valor da amizade, clichê pra caralho isso eu sei, mas é a mais pura verdade. Você foi quem me ofereceu o primeiro cigarro, as você foi quem também me disse que isso não era certo. Foi você que me apresentou o mundo das bebidas, foi também você que me segurou do eu primeiro PT. Foi você que sempre me encorajou pra tudo. E foi você que sempre cuidou de mim como seu eu você o seu bebê, a sua menininha que você não podia deixar que nada de acontecesse com ela, eu sinto falta de ser a tua menininha, como sinto. E você pode não acreditar ou até duvidar mas é verdade meus dias tão indo de mal a pior sem você do meu lado. Eu te amo muito, e quando eu me lembrar de você vou sempre me lembrar como a melhor amiga do mundo.  (howdaydream)


Eu me nomeei uma burra, uma completa idiota por ter sido tão tola ao ponto de ter caído nos teus papinhos, mesmo com tanta gente me avisando de teus podres. Eu tive que me iludir naquela história clichê ‘’comigo ele vai ser diferente’’. Estava completamente, ridiculamente cega de amor. O pior foi que eu não me iludi sozinha, tu realmente tem grande parte da culpa nisto, e tu sabes tão bem quanto eu. As inúmeras mensagens em meu celular que eu ainda não fui forte o suficiente para apagar, podem provar tudo o que eu estou falando. Aquele teu papo todo de se preocupar comigo, de querer cuidar de mim. E quando tu me chamaste de minha, e para aumentar a coisa tu teve que por ênfase. Lembro-me uma vez que tu me disseste ‘’eu te amo’’ e eu te respondi com a seguinte frase ‘’eu não vou te falar que eu te amo, por que para as pessoas que um dia eu disse eu te amo foram embora, e eu não quero de jeito nenhum que você se vá.’’ E tu me respondeste ‘’eu jamais te deixaria, eu jamais faria algo para te machucar, jamais.’’ Quantas palavras falsas em um frase só em meu caro. Quanta falsidade tu jogou para mim, e eu bobinha acreditei em tudo, e o pior de tudo é que me senti completamente segura com aquelas tuas palavras que foram mais falsas que nota de três reais. Foi só passar algum tempo que tu ‘’esqueceste’’ tudo o que dia me disseste e me deixou, me abandonou, criou asas e voou, como se nunca tivesse me conhecido. Alias não me deixou por que afinal nos vemos todos os dias não é mesmo? Mas age como se não me conhece-se, age como se um nunca tivesse passado de uma desconhecida pra você, age com indiferença, e você não imagina o quanto machuca, alias deve imaginar, e deve gostar disso. Burra fui eu que um dia acreditei naquelas tuas palavras, tuas promessas. Eu fui ridiculamente trouxa tua, jogou tanto papinho em cima de mim, conseguiu o que queria e foi embora. Foi embora, mas esqueceu de levar uma parte tua que ficou aqui comigo, e olha eu espero, rezo todos os dias e essa parte tua saia de mim logo por que olha, hoje eu tenho nojo de você, nojo dessa sua duas caras, nojo. E eu rezo também para as próximas meninas que você se aproximar não sejam tão tolas como eu um dia fui. Todas as infelicidades do mundo para você meu querido. (howdaydream)


Sua dash está parada? Balance o monitor.



Quero colo. Quero cafuné. Quero beijo. Quero mordida. Quero abraço. Quero você.


Reblog se a sua url não tem a ​​palavra ‘sociedade’, ‘poeta’, ‘garoto’, ‘vodka’, ‘anjo’ ou uma data nela.


Se a pessoa se importa, ela vai atrás. Fim.


Faz um bom tempo que não consigo escrever aquilo que estou realmente sentindo, aqueles lindos textos de amor que escrevia para a pessoa que eu mais amava, não fazem mais tanto sentido. Estou perdendo o controle de mim mesma, e me sentindo perdida. Sigo a mesma rotina toda manhã, e sinceramente já estou me cansando. Sorrir esta cada vez mais difícil, e as lágrimas escorrem em meu rosto diariamente. A unica coisa que ainda faz a minha vida ter algum sentido, são aquelas pessoas que estão sempre ao meu lado. Que nunca me deixaram, e prometeram ficar, e ficaram. São poucos os motivos para um sorriso verdadeiro, mas são esses poucos motivos que fazem, eu ser pelo menos um momento “feliz”. Palavras são poucas para definir meus pensamentos. Preciso seguir em frente, mas não sei o caminho certo a tomar. As pessoas em que eu mais confio, não estão literalmente ao meu lado. E tudo parece estar se complicando. Alguns me veem, como a garotinha fraca, anti-social. Sou julgada, sem ao menos ser conhecida, isso é o que mais interfere em meus sentimentos. Prefiro ficar na minha, quieta em meu canto. Não sou daquele tipo de menina, que se importa com que os outros falam ou deixam de falar sobre quem sou, pois acredito em o que posso ser. Quero continuar tentando achar uma maneira de me expressar e fazer algo ter sentido.  Só preciso confiar em mim mesma, e acreditar que sou capaz. Aquelas pessoas que estão “perto” de mim, sei que posso confiar, e que iram me ajudar, como sempre fizeram. Talvez, eu volte a ser quem eu era, antes de perceber tudo o que aconteceu em minha volta e cair nessa intensa realidade. Sinto que preciso mudar por mim própria, e que sei que vou conseguir. Um dia aquilo que se repetia, irá se tornar apenas algo para se contar história e enfim, acharei outros motivos para um novo sorriso verdadeiro […]  Afastar-te )



Machucou, mas ensinou.